18 maio, 2018


Ramsés II, o Grande

Filho e neto de generais, ele foi criado para vencer. Lutou contra hititas, núbios e assírios. Por suas mãos, o Egito se tornaria um império

Ramses II


A entrada da cidade está coberta de cadáveres. Desesperado, o sacerdote queima resina em um fogareiro, num ritual de magia, pedindo socorro aos deuses enquanto chora pelos mortos. Não funciona. O poderoso Exército egípcio parece invencível. Acaba de romper a machadadas as portas da fortaleza, o último baluarte de resistência de Biblos, a capital do reino de Amurru (no atual Líbano), aliado dos hititas.A conquista de Biblos, em 1285 a.C., é um marco na história. Sob o comando de Ramsés II, o Egito está para se tornar o maior império do mundo antigo. Poderoso e rico, o país se tornará uma potência militar, conquistará territórios dos hititas ao norte, dos assírios a leste e dos núbios ao sul, até atingir seu tamanho máximo. Trará escravos, novas matérias-primas e tecnologia. Será o apogeu econômico e cultural do Egito.Filho e neto de guerreiros, Ramsés II assumiu o poder com 25 anos, em 1290 a.C., e lançou-se em um esforço militar inédito. Em sua primeira campanha militar, com apenas 10 anos, participou da retomada do litoral do Líbano ao lado do pai, Sethi I. Logo nos primeiros anos de governo, Ramsés II levantou uma rede de fortificações perto das fronteiras. Engolidas pelo tempo durante três milênios, essas cidadelas estão voltando à luz.


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17 maio, 2018


Na Guerra do Paraguai, mães seguiam seus filhos em combate

Elas não eram as únicas a seguir o exército sem lutar. E não tinha nada de esquisito para a época. Aos 51 anos, a baiana Ana Justina Ferreira Nery ficou sabendo que seus três filhos e um irmão seriam enviados para a Guerra do Paraguai (1864-1870). Sem pensar duas vezes, ela arrumou a mala e foi com eles. Ficou cinco anos nos campos de batalha, ganhando uma medalha de prata por serviços prestados e tornando-se a primeira enfermeira militar do Brasil. Não foi só Ana Nery quem acompanhou as tropas durante aquela guerra. No conflito, era comum mães, mulheres e prostitutas fazerem o mesmo. Algumas chegavam a ir ao campo de batalha, socorrer os feridos e pegar em armas. Diferentemente da baiana, a maioria permaneceu anônima. “Essas infelizes seguem nossos movimentos, se vestem pobremente, se alimentam com o que sobra”, relatou o argentino Francisco Seeber no livro Cartas sobre la Guerra del Paraguay (1865 y 1866). “Seus maridos muitas vezes as tratam mal e elas morrerão no esquecimento.” Na Retirada de Laguna, a desastrosa marcha brasileira de 2.500 quilômetros para reconquistar parte do atual Mato Grosso do Sul, por exemplo, havia 1.300 mulheres e crianças para os 2.200 soldados. A presença da família entre as tropas mostra que a disciplina militar que se conhece hoje ainda estava se formando no século 19. “A presença de mulheres na guerra só deixou de ser considerada normal no século 20”, afirma o historiador Francisco Doratioto, autor do livro Maldita Guerra. A comitiva de civis acompanhando soldados era uma tradição antiga. Na catastrófica invasão da Rússia de 1812, Napoleão também trouxe consigo um exército de carroças com mulheres, não apenas para apoio emocional, como para funções como enfermagem, cozinha, logística.