18 janeiro, 2018

18 de janeiro - O Tratado de Versalhes, a semente que fez nascer o nazismo


Quando o Brasil era da Espanha

Entre 1580 e 1640, durante a União Ibérica, a colônia formalmente respondia ao rei da Espanha - e isso teve consequências

Brasil ficou sob domínio espanhol por 60 anos | <i>Crédito: ShutterstockÉrica Montenegro

O rei Filipe IV, da Espanha, estava realmente furioso. A ponto de anunciar em público que ele em pessoa tinha vontade de vir ao Brasil para retomar a cidade de Salvador, então nossa capital. Depois da declaração, centenas de espanhóis e portugueses voluntariamente se alistaram para a briga que se iniciaria no Atlântico Sul. Saídos da Europa, esses cavaleiros se juntaram à poderosa armada espanhola que se encontrava atracada nas ilhas de Cabo Verde e formaram uma praticamente invencível esquadra composta por 52 navios, 1185 canhões e 12566 homens. Foram 46 dias de travessia até os navios chegarem ao porto de Salvador, no domingo de Páscoa de 1625. E mais 30 de cerco até a rendição total do inimigo. Em 30 de abril daquele ano, os holandeses aceitaram retornar para casa com a promessa de que não voltariam a invadir o Brasil. Mentira, como alguns anos mais tarde mostrariam. Essa, porém, não foi a primeira nem seria a última tentativa de um país europeu pegar um pedaço da cobiçada costa brasileira. Holandeses, ingleses e franceses diversas vezes atacaram nosso território. Eles não aceitavam de maneira alguma a divisão do “novo mundo” entre Portugal e Espanha – aquela repartição que o famoso Tratado de Tordesilhas, linha imaginária que cortava parte do Ocidente, estabelecera em 1494. Os ingleses e os franceses foram os primeiros a fazer investidas, logo depois da descoberta de terras americanas. Por volta de 1580, essas tentativas se acentuaram. E, se o Brasil tem hoje esse tamanho imenso, deve muito à armada espanhola, decisiva para conter os ataques. Mas o que fazia uma esquadra espanhola no Brasil? E que interesse tinha Filipe IV a ponto de ficar tão irritado com a invasão em Salvador? Para entender, temos de voltar um pouco no tempo. Mais precisamente, para o mês de julho do ano de 1578. 


17 janeiro, 2018

A ressaca da nação: o desastre da Lei Seca

Há 98 anos, a proibição do álcool levou à Era de Ouro da Máfia

Manifestantes com cartazes dizendo 'Nós queremos cerveja' | <i>Crédito: Domínio PúblicoFelipe Van Deursen


Ex-jogador de beisebol, o reverendo Billy Sunday era um dos religiosos mais populares dos Estados Unidos. Conhecido por seus eloquentes discursos, ele adotou um tom épico naquele 16 de janeiro de 1920. A platéia de 10 mil fiéis, na cidade de Norfolk, ficou radiante. “O reino das lágrimas acabou. As favelas logo serão memória. Vamos fazer de nossas prisões fábricas e das cadeias armazéns. Homens caminharão eretos, mulheres vão sorrir e as crianças darão risadas.” No mesmo dia, a Constituição americana ganhara sua 18ª emenda, proibindo a fabricação, o comércio, o transporte, a importação e a exportação de bebidas alcoólicas. Era a Lei Seca, adotada com o objetivo de salvar o país de problemas que iam da pobreza à violência. Sunday e muitos outros americanos acreditavam que todos esses males tinham apenas uma raiz: o álcool. No começo do século 20, usar a Lei Seca para resolver problemas sociais não foi uma ideia exclusiva dos americanos. “Ela foi testada em pelo menos 11 países, além de territórios e colônias, e acabou repelida em todos os casos”, diz o cientista político americano Mark Schrad, da Universidade de Wisconsin. MATÉRIA COMPLETA