"O passado não reconhece seu lugar: está sempre presente (Mário Quintana)

9.2 - Revolução Industrial (2ª fase)

 
 O principal aspecto que diferencia a espécie humana de qualquer outra criatura que habita o planeta é a sua capacidade de criação. Nos milhares de anos de evolução, da pré-história ao nosso tempo atual, e diante das mais variáveis dificuldades ou necessidades, o homem descobriu e desenvolveu diferentes materiais, objetos e ferramentas que modificaram totalmente a maneira como vivemos. Por volta de 1750 a humanidade passou a testemunhar um numero cada vez maior de inovações tecnológicas que passaram a transformar radicalmente a economia, a sociedade, a cultura e modo de viver das pessoas. A partir de 1870 teve início uma nova era de inovações técnicas, descobertas científicas, matérias-primas e fontes de energia e esse novo estágio de transformações na forma de se produzir ficou conhecido como Segunda Revolução Industrial.

Porque chamamos de Segunda Revolução Industrial?

Muito simples responder esse questionamento. Chamamos de Segunda Revolução Industrial porque existiu uma primeira revolução no modo de se produzir. Aproximadamente entre 1750 e 1830, inicialmente na Inglaterra, inúmeras inovações técnicas e científicas transformaram radicalmente a economia e a vida das pessoas.  Entre outras coisas, esse período foi marcado pela ampliação da produção mercadorias através do uso de novas máquinas, pelo desenvolvimento da siderurgia e pela utilização da energia a vapor.  Os avanços, descobertas ou invenções que passaram a ocorrer posteriormente, especialmente a partir da década de 1850, vão representar em seu conjunto uma Segunda Revolução Industrial.
Nessa nova onda tecnológica, o aço tornou-se a matéria prima básica, a indústria química e metalúrgica tiveram grande avanço e a energia elétrica e os combustíveis derivados do petróleo tornaram-se as principais fontes de energia. Muitos desses avanços puderam ser notados no decorrer da Primeira e especialmente Segunda Guerra Mundial.

SEGUNDA FASE DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

A partir de 1860 a necessidade de ampliar os lucros fez com que novas tecnologias modificassem as formas de se produzir que caracterizaram a Primeira Revolução Industrial.  Essa segunda fase da revolução teve, inicialmente, maior força nos Estados Unidos e logo chegou ao continente europeu e também ao Japão.  
Na segunda metade do século XIX ocorreu um grande crescimento econômico na Europa e nos Estados Unidos. É bom lembrar que nesse momento a maior parte dos poderosos países europeus não podiam mais contar com suas ricas colônias, verdadeiras “galinhas dos ovos de ouro” que foram exploradas por séculos. Com essa nova realidade, os países já industrializados e outros que ainda estavam iniciando o processo de industrialização,[1]  tiveram que confrontar-se o desafio de produzir mais, competir mais e lucrar mais. Era preciso encontrar e desenvolver novas fontes de energia, criar novas máquinas, explorar matérias-primas em uma quantidade maior. As novas necessidades proporcionaram o início da Segunda Revolução Industrial. 
O aço, mais resistente, passou a substituir o ferro como matéria-prima básica. A energia elétrica e os combustíveis derivados do petróleo tornaram-se as principais fontes de energia, substituindo aos poucos o carvão. O desenvolvimento de alguns produtos químicos também marca esse período e a fabricação de borracha, papel e explosivos puderam ser feitas em larga escala. Ao mesmo tempo, o avanço da medicina, nos meios de transporte e comunicação possibilitaram um grande aumento na qualidade e expectativa de vida e também grande expansão da economia.

Avanços, conquistas e descobertas:

1856 – produção do aço.

O aço é adquirido através da mistura de ferro e carbono fundidos em altas temperaturas. Por ser mais resistente e enferrujar menos passou a ser utilizado mais do que o ferro. O método criado por Henry Bessemer permitiu que o aço fosse produzido em larga escala. Em muitas indústrias, especialmente durante a década de 1870, o aço substituiu o ferro sendo de grande validade para a construção de máquinas, ferrovias, ferramentas, pontes, edifícios e automóveis.

O petróleo, que antes era utilizado somente para o funcionamento de sistemas de iluminação como lampião ou lamparinas, passou a ter uma nova utilidade com a invenção do motor à combustão. Com isso, ao lado da eletricidade, este mineral passou a estabelecer um ritmo de produção mais acelerado. A partir da segunda metade do século XIX a indústria passou a produzir derivados como a gasolina, diesel e o óleo combustível. Esses derivados foram usados para mover motores e máquinas que se desenvolviam. 

A eletricidade já era conhecida um pouco antes dessa época, mas tinha seu uso reservado ao desenvolvimento de pesquisas em laboratórios. Porém, passou a ser utilizada como um tipo de energia que poderia ser transmitido em longas distâncias e geraria um custo bem menor se comparado ao vapor. Isso passou a ocorrer a partir das pesquisas Michael Faraday, responsável por descobrir o princípio eletromagnético utilizado no gerador de energia. Depois disso, vários modeles elétricos foram desenvolvidos. O dínamo, desenvolvido pelo alemão Werner Von Siemens, foi o principal.









1856 – geladeira.
Contratado por uma fábrica cerveja, o australiano James Herrison desenvolveu um sistema capaz de refrigerar e manter baixa a temperatura da bebida usando o princípio da compressão de vapor. Nos Estados Unidos, em 1854, foi feito o primeiro sistema refrigerador para a indústria de carnes, frigoríficos. Anos mais tarde, em 1866 os refrigeradores já eram capazes de conservar frutas e legumes. Em 1913 surgiu a primeira geladeira doméstica.

1863 – motor de combustão
 Os primeiros motores utilizavam força humana, tração animal, correntes de água, o vento, e o vapor. Embora já existissem projetos desenvolvidos anteriormente e  existam outros importantes nomes envolvidos no processo de criação de motores, é creditado ao alemão Nikolaus August Otto o maior desenvolvimento do motor de combustão. O mecanismo de Otto foi projetado e construído para trabalhar em um ciclo de quatro tempos e obteve inúmeras vantagens em relação ao motor a vapor. Depois da sua criação, o motor de combustão interna atravessaria os séculos impulsionando as formas de tração mecânica. Os automóveis, as embarcações, os ônibus, os caminhões, as máquinas de trabalho rural e de canteiros de obras, assim como na indústria em geral e até mesmo na aviação utilizam ainda o princípio de funcionamento, em motores de combustão interna, de 150 anos atrás.

1867 – dínamo.  
Durante quase três séculos diversos cientistas se dedicaram a pesquisas e a inventos de condutores de correntes elétricas, chamados geradores de eletricidade.  A primeira máquina a utilizar os fenómenos da indução para produzir correntes contínuas foi construída a partir de 1831 pelo matemático e físico francês André Marie Ampère.  Em 1867 os primeiros desenhos práticos de dínamos foram apresentados pelo alemão Werner Siemens e pelo britânico Charles Wheatstone. Entretanto, somente em 1886, Siemens inventou o primeiro gerador de corrente contínua auto-induzido, permitindo assim o nascimento da máquina elétrica.

1876 – telefone.
A invenção do telefone, nos Estados Unidos em 1876, deslumbrou o mundo. Essa história teve início na cidade de Boston, mais precisamente na oficina de Charles Williams, onde trabalhava Tomas A. Watson, muito dedicado à invenção e aperfeiçoamento de aparelhos elétricos. Na mesma oficina ocorreu o encontro entre Watson e Alexander Graham Bell, que tinha a intenção de aperfeiçoar seu “telégrafo harmônico”. Graham Bell chegou àquela oficina procurando suporte tecnológico para sua invenção, e começou a trabalhar com Watson. Após muitos esforços e invenções, conseguiram que a voz humana fosse transmitida através de longas distâncias. Surgiu assim o telefone. Em 1973, quase 100 anos depois da invenção do telefone, a marca Motorola apresentou ao mundo o primeiro aparelho de telefonia móvel. Como poderia ser a vida hoje sem o telefone? Difícil imaginar.

1879 – lâmpada.
Por ter substituído os lampiões a gás e as lamparinas a óleo, bastantes perigosos, poluentes e de pouca luminosidade, podemos dizer tranquilamente que a lâmpada foi uma das maiores invenções da história. Desde o início do século XIX inúmeros cientistas contribuíram para a criação de lâmpadas. Entretanto, foi o norte-americano Thomas Edison o criador das lâmpadas. Ele aperfeiçoou os modelos de lâmpadas que já haviam sido estudados e compôs um aparelho com filamento fino de carvão a alto vácuo, que durava mais e tinha melhor qualidade. Após receber a patente, sua empresa, a Edison Electric Light Company, passou a vender as lâmpadas nos Estados Unidos.

1885 – automóvel,
A história do transporte tem início no mesmo momento em que o ser humano inventou a roda. A roda significou um grande desenvolvimento tecnológico e tornou o transporte mais rápido e fácil. A partir de sua invenção os povos passaram a se aproximar e foram surgindo os mais diversos meios de transporte, começando com a carroça, criada em 3500 a.C. Muitos séculos depois, em 1769, Nicolas Cugnot utilizou um motor a vapor para movimentar um veículo. Esse primeiro experimento mostrou-se incompatível,  já que era uma máquina enorme e que apresentava muito pouca utilidade nas estradas precárias da época. Além disso, experiências realizadas nas décadas de 1860 e 1870 contribuíram para o desenvolvimento do automóvel. 
O crescimento da indústria petrolífera e criação do motor a combustão foram fundamentais e permitiram um grande salto na evolução dos meios de transporte. Em 1885 foi produzido pelo alemão Karl Benz o primeiro automóvel motorizado e com o propósito comercial. Contendo somente três rodas, o veículo foi o primeiro meio de transporte a fazer uso de um motor a gasolina para se locomover. Com o sistema de arranque a manivela o automóvel podia alcançar a velocidade de 18 km/h.  Até 1895 parecia ser impossível ultrapassar os 25 km/h. A invenção do pneu oferece novas possibilidades e  em 1899 a velocidade de 100Km/h já poderia ser alcançada. Hoje a indústria automobilística é uma das que mais evolui e automóvel continua fascinando milhares de pessoas em todo o mundo. 


1895 – projetor de cinema.
No ano de 1895 a grande invenção foi o projetor de cinema. Criado na França pelos irmãos Louis e Auguste Lumiére, o cinema acabou significando uma grande revolução no mundo das artes.

                                                              A indústria química.

A ampliação das pesquisas científicas permitiram grandes descobertas, como por exemplo, a obtenção da soda e do enxofre, fundamentais para a produção do papel, de explosivos e da borracha, de grande utilidade para a indústria automobilística e calçadista. Fertilizantes e inseticidas, desenvolvidos nessa época, representaram um grande avanço para a agricultura e a utilização de corantes sintéticos transformou a indústria têxtil. A higiene pessoal também ganhou com a revolução. Nessa época começam a ser produzidos de forma industrial shampoos, cremes dentais e os sabonetes. A indústria alimentícia também foi se transformando. Ampliou-se a produção de alimentos enlatados, surgiram às primeiras cervejas industrializadas e os primeiros refrigerantes, o mais famoso deles, a Coca-Cola, em 1886. Nesse período a medicina deu um grande salto. Com os avanços na área química surgiram os antibióticos, as vacinas e uma grande variedade de novos medicamentos. Além disso, foram adquiridos novos conhecimentos sobre as doenças e técnicas de cirurgia foram aprimoradas. Com tudo isso, cresce a qualidade e expectativa de vida.


1893 – motor a diesel.
Em 1893, na Alemanha, foi criado o primeiro motor movido a diesel e com tecnologia considerada bem avançada para a época. Seu criador foi o francês Rudolf Diesel, que tinha a intenção de levar seu invento para ser usado na indústria naval dos ingleses. Ainda hoje o motor Diesel tem destaque pela economia de combustível. A partir desse avanço passaram a surgir caminhões, ônibus e tratores. Entre 1911 e 1912, Rudolf Diesel fez a seguinte afirmação: “O motor a diesel pode ser alimentado por óleos vegetais, e ajudará no desenvolvimento agrário dos países que vierem a utiliza-lo... O uso de óleos vegetais como combustível pode parecer insignificante hoje em dia. Mas com o tempo irão se tornar tão importante quanto o petróleo e o carvão são atualmente.”


1899 – rádio.

Muitas experiências tiveram que ser realizadas até poder surgir o rádio como conhecemos hoje. Por isso mesmo existe certa polêmica quanto ao cientista responsável por esse invento. Para alguns autores, o inventor do primeiro sistema prático de telegrafia sem fios foi o Italiano Guglielmo Marconi em 1896. Marconi não foi o inventor de nenhum dispositivo em partícula e teria usado em seu projeto 19 inovações de Nikola Tesla. Por essa razão outros autores, especialmente nos Estados Unidos, dão a Tesla o mérito pela criação do rádio. Marconi se baseou em estudos apresentados em 1897 por Nikola Tesla para em 1899 realizar a primeira transmissão pelo Canal da Mancha. Independente da discussão sobre quem foi o verdadeiro inventor do rádio, o certo é que a novidade representou uma grande revolução nos meios de comunicação. Em 1909, 1,7 mil pessoas são salvas de um naufrágio graças ao sistema de radiotelegrafia de Marconi e em 1919 já se vivia a chamada “Era do Rádio”.

1903 – Avião
Possivelmente o sonho de voar estava presente no homem desde a pré-história, quando observou o voo dos pássaros, e se manteve vivo durante toda a antiguidade.  Entretanto, teriam que se passar muito séculos até que isso fosse possível. A primeira grande conquista foi o surgimento, a partir de 1782, dos primeiros balões dirigíveis. Esse invento teve importante significado e foi evoluindo gradativamente, porém, os balões não tinham autonomia por não controlarem totalmente, por exemplo, o destino do voo.

O surgimento do avião no início do século XX foi uma das grandes evoluções tecnológicas da humanidade  e mostrou o quanto infinita é a capacidade de criação do homem. É grande a discussão sobre a autoria do primeiro voo e geralmente envolve os nomes do brasileiro Alberto Santos Dumont e dos irmãos norte-americanos Orville Wright e Wilbur Wright. Foram feitas centenas de experiências buscando fazer com que um objeto mais pesado que o ar pudesse voar. No dia 23 de outubro de 1906, Alberto S. Dummont apresentou um rústico avião a uma comissão julgadora, o 14-Bis, marcando dessa forma a origem da aviação. Os primeiros voos públicos dos Irmãos Wright, com a presença de um grande número de testemunhas, foram realizados em 1908 na França. Independente da discussão, devemos sempre considerar que muitos aviadores anteriores a estes fizeram importantes contribuições à aviação. Poucos anos depois, na Primeira Guerra Mundial, o avião já era usado para serviços militares. No chamado período entre guerras a tecnologia das aeronaves teve um grande desenvolvimento.




 1923 – Televisão.

Na década de 1920 foi criada a televisão. Na sua origem a televisão era considerada um artigo de luxo, possível de se adquirida somente pelas classe mais privilegiadas. Entretanto, com o passar dos anos tornou-se um produto popular, acessível a todas classes sociais. Por sua eficiência na divulgação de informações, a televisão tornou-se o principal meio comunicação do mundo.  A criação da televisão remete às pesquisas realizadas por John L. Baird, que em 1920  uniu componentes eletrônicos e montou o primeiro protótipo de televisão. No mesmo período, em 1923, o russo Wladimir Zworykin desenvolveu os primeiros tubos de televisão. Somente em 1945 a televisão passou a ser produzida escala industrial.  Mesmo assim, a partir da década de 1930 passaram a ocorrer as primeiras transmissões abertas, especialmente na Alemanha, Inglaterra, Rússia e Estados Unidos. Em 1950 a TV chegou ao Brasil. 



 Mesmo que as novas invenções ou descobertas não fossem acessíveis a todos, a vida de milhares de pessoas modificou-se radicalmente. Embora possamos, por exemplo, ter consciência dos danos ambientais causados pela industrialização ou debater sobre o fato da revolução ter iniciado uma era de exploração do trabalhador, não podemos mais imaginar nossas vidas sem a indústria. Basta pensar em viver sem a energia elétrica, sem o banho quente no inverno, sem o ventilador ou ar condicionado no verão, sem a geladeira, sem a TV, sem o shampoo ou pasta de dentes, sem medicamentos, sem a variedade de opções de alimentos no supermercado, sem o automóvel, sem computadores, sem celulares e sem a internet, isso para citar coisas que utilizamos em nosso dia a dia, para percebermos que somos hoje seres totalmente dependentes daquilo que é industrializado e que nos proporciona conforto.

CONSEQUÊNCIAS:
Mudanças na economia, nas relações de trabalho e na sociedade.

Pelas mudanças que provocou na sociedade, na economia e na vida de milhares de pessoas a Revolução Industrial é um dos melhores exemplos de verdadeira revolução. Além dos avanços notados nos meios de comunicação e transporte, que transformaram o cotidiano das pessoas, e das conquistas da química e da medicina, que aumentaram muito a qualidade e expectativa de vida, podemos citar as mudanças nas relações de trabalho, na economia e na sociedade. Por seus efeitos positivos e negativos, poucos episódios históricos apresentam consequências tão conflitantes como a Revolução Industrial.
Com a revolução a economia sofre uma grande alteração e a busca pelo lucro provocou a consolidação do capitalismo industrial. Procurando obter os maiores lucros, o capitalista (empresário industrial dono dos meios de produção da fábrica), explorava ao máximo a capacidade de trabalho do operário e lhe pagava o menor salário possível. [2] Com o aumento da produção os países industriais iniciaram uma luta por novos mercados que caracterizou o imperialismo.[3] O mundo passou a ser dividido entre países industrializados e países não industrializados, em países desenvolvidos e países subdesenvolvidos.           
A revolução na forma de se produzir foi, ao mesmo tempo, uma revolução na forma de se comercializar. A forma de se produzir foi reorganizada. Através da especialização do trabalho os artigos passaram a ser produzidos em série e surgiram assim as linhas de montagem, empregadas inicialmente nas indústrias automobilística e fabril. Ocorreu uma divisão muito maior do trabalho e como o interesse pelo lucro aumentou passou-se a produzir mais em menos tempo. Os trabalhadores foram sendo substituídos pelas máquinas e tiveram que se adaptar ao novo ritmo de produção. [4]
Frederick Winslow Taylor desenvolveu um conjunto de métodos para a produção industrial conhecido como taylorismo. Pelo método de Taylor o funcionário deveria apenas exercer sua tarefa em um menor tempo possível sem precisar ter o conhecimento sobre a forma como se chegava ao resultado final. Outro importante nome foi o do norte-americano Henry Ford, responsável por instituir um modelo de produção que ficou conhecido como fordismo. Ele pôs em prática na sua fábrica de automóveis – a Ford - a produção em série. Essa nova forma de trabalho consistia na avançada divisão de tarefas entre os diversos operários de sua fábrica. Cada trabalhador seria responsável por uma única tarefa, que deveria ser repetida até se alcançar uma maior produtividade. A fabricação em série provocou a queda da qualidade dos veículos, mas ao mesmo tempo tornou o carro mais barato e um meio de transporte acessível às pessoas.  A partir de 1950 esse modelo de produção se intensificou. Por muito tempo as ideias de Ford e Taylor orientaram a estrutura de trabalho no interior das fábricas.
Entre os efeitos da revolução, também podemos citar o crescimento populacional e o aumento das cidades. O aumento do número de fábricas fez com milhares de pessoas deixassem o campo e partissem para as cidades em busca de uma oportunidade de emprego. Algumas cidades da Europa aumentaram três vezes o número de sua população em meio século.  Ao mesmo tempo em que as indústrias se multiplicavam a paisagem urbana se modificava e surgiam bairros marginalizados, sem condições de infraestrutura - como pavimentação, água e esgoto – e onde se concentravam a maior parte dos operários.
 O modo como os capitalistas passaram a explorar o trabalhador provocou uma grande divisão na sociedade. Duas classes entraram em disputa. De um lado estava a burguesia (empresários industriais), que passou a lutar pelo fim da intervenção do Estado na economia e pela ampliação dos mercados, e do outro o proletariado (trabalhadores que vendiam sua força de trabalho aos industriais), que através da organização dos movimentos operários lutava por direitos trabalhistas, melhores condições de trabalho e elevação dos salários. Nesse momento, a teorias do liberalismo econômico e do socialismo ganham espaço.  

PESQUISA: liberalismo econômico e socialismo

A terceira Revolução Industrial

Muitos autores defendem a ideia de que atualmente vivemos na época da Terceira Revolução Industrial, iniciada alguns anos após a Segunda Guerra Mundial e notada mais nitidamente a partir de 1970. Essa fase apresenta processos tecnológicos decorrentes de uma integração entre ciência e produção. O trabalho passou por uma profunda reestruturação e as atividades que mais se destacam estão vinculadas à produção de computadores, softwares, microeletrônica, chips, transistores, circuitos eletrônicos, além da robótica com grande aceitação nas indústrias. 

Questões:
1) Com suas palavras, diga o que foi Revolução Industrial e destaque as principais características e inovações de sua segunda fase.
2)      Faça um relatório apontando a evolução nos meios de transportes e comunicação, as novas fontes de energia e matérias primas e avanços no setor químico durante a segunda revolução industrial.
3)   Comente sobre as mudanças na vida dos trabalhadores e na sociedade durante a segunda revolução industrial.
4) Uma das consequências da Revolução Industrial foi a consolidação do capitalismo industrial que, entre outras coisas, garantiu o poder econômico nas mãos dos grandes industriais. Com suas palavras, explique de que forma os grandes capitalistas procuravam aumentar seus lucros.
5)      Quais foram as principais consequências da revolução?  



[1] Devemos lembrar as inovações tecnológicas não se deram na mesma época e em todos os lugares ao mesmo tempo. Ou seja, alguns países saíram na frente na corrida da industrialização. Enquanto existiam países já industrializados, haviam também aqueles que ainda dependiam essencialmente da agricultura, do artesanato e da manufatura. 


[2] Os salários eram tão baixos que dificilmente garantiam a alimentação de uma única pessoa. Assim, toda a família do trabalhador era obrigada a trabalhar, inclusive mulheres e crianças de até seis anos.

[3] As principais potências capitalistas disputaram a partir do século XIX novos mercados consumidores de produtos industrializados e fornecedores de matéria prima. Esses mercados estavam na Ásia e principalmente na África.

[4] O ambiente nas fábricas era sujo, escuro e sem ventilação adequada. Crianças, homens e mulheres trabalhavam até 14 horas por dias, parando apenas para fazer as refeições. 


2 comentários:

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