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Minha foto Professor Gabriel
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Graduado e mestre em História pela Universidade de Passo Fundo. Professor, historiador e apaixonado pelo ofício de ensinar. Um sonhador que acredita na capacidade transformadora da educação pública. Atualmente, gestor de uma escola da rede pública de educação do Rio Grande do Sul.

7.3 - O Renascimento



A crise do feudalismo, o fortalecimento do comércio e das cidades, a consolidação das monarquias nacionais e a conquista da América[1], provocaram profundas mudanças na economia, na política e na sociedade. Acompanhando essa nova realidade, os valores e as ideias que caracterizavam o pensamento medieval também foram sendo, lentamente, substituídos. Todas essas mudanças foram aceleradas pelo Renascimento, movimento intelectual e cultural que teve como uma de suas principais marcas a valorização do ser humano e a utilização da razão para pensar e agir sobre o mundo. O Renascimento marca a passagem do mundo medieval para o mundo moderno. 
Nessa passagem,  as artes, a filosofia e as ciências sentiram diretamente os efeitos da nova maneira de pensar.  O termo renascimento foi criado pelos próprios artistas, escritores e cientistas da época. Essas pessoas pretendiam fazer renascer a cultura e resgatar os conhecimentos desenvolvidos pelos povos da antiguidade e que haviam sido esquecidos durante a Idade Média, conhecida, a partir desse momento, como “Idade das Trevas”. Isso não significou, entretanto, que o movimento renascentista tivesse o objetivo de retornar a antiguidade. [2] 

 Os valores do Renascimento
Durante a Idade Média as pessoas viviam presas a sua posição social, preocupadas mais com a vida após a morte do que com a vida terrena, acreditando que a Terra era plana e que todos os acontecimentos e fenômenos eram determinados pela vontade de Deus. Com o Renascimento, essas “crenças” passaram a ser questionadas e foi surgindo um ser humano mais confiante em suas possibilidades e que deixou de querer explicar e entender tudo pela fé e vontade divina.  Para substituir os valores dominantes da Idade Média, os renascentistas, ou humanistas, como também eram chamados, formularam três novos valores: Humanismo, Racionalismo e Individualismo.


Humanismo: em vez de um mundo teocêntrico, isto é, onde Deus está no centro e onde tudo que acontece é relacionado as suas vontades, os renascentistas defendiam o pensamento de que era preciso construir um mundo em que o homem estivesse no centro (antropocentrismo) e pudesse olhar para si mesmo como sendo responsável por sua própria vida.
Racionalismo: uma das principais marcas do Renascimento foi a valorização da razão. Ao invés da fé para explicar o mundo, os renascentistas afirmavam que o uso da razão seria a única alternativa para se alcançar a verdade. Para isso, pretendiam modificar o ensino dado pelas universidades medievais, onde até então, predominavam os valores da Igreja Católica. O Racionalismo foi empregado principalmente pelas ciências. Os métodos experimentais e a observação da natureza se tornaram critérios obrigatórios para os cientistas modernos.
Individualismo: para os renascentistas, o homem deveria passar por uma grande mudança de comportamento. As diferenças individuais dos homens deveriam ser reconhecidas e respeitadas. Esse valor está intimamente associado ao espírito de competição da burguesia.
O movimento renascentista pode ser melhor compreendido se compararmos os valores que predominavam na Idade Média com os valores que passaram a predominar na Idade Moderna.

A nova realidade
         O Renascimento teve início nas cidades italianas no século XV e espalhou-se pela Europa no século XVI. [3] Embora tenham se adequado as particularidades de cada região, as novas ideias e atitudes foram inspiradas pelas mudanças sociais que passaram a ocorrer em todo o continente. Assim, o aumento da população, o desenvolvimento das cidades e o fortalecimento da burguesia, foram fundamentais para a expansão do pensamento humanista.
Desenvolvimento e crescimento das cidades e do comércio: o Renascimento foi um movimento essencialmente urbano. O comércio movimentado das cidades estimulava a competitividade entre os burgueses, que, por sua vez, valorizavam a razão e defendiam o individualismo. Para os burgueses, ser individualista significava concorrer de forma livre no comércio, poder escolher sua forma de pensar e estar livre da influência da Igreja Católica.
A ação dos mecenas: O trabalho de artistas e pensadores do renascimento dependeu do apoio financeiro que receberam dos mecenas, homens ricos que estavam interessados no desenvolvimento cultural. Eram os mecenas, na maioria das vezes burgueses, que financiavam a construção de igrejas e de edifícios públicos.


Desenvolvimento da imprensa: A imprensa foi desenvolvida pelo alemão Johann Gutenberg e foi uma das maiores inovações técnicas do período, já que até então, a única forma de reproduzir livros era copiando-os a mão. Dessa forma, a imprensa foi fundamental para a divulgação do novo pensamento na medida em que facilitou a impressão de livros, de textos e de panfletos em uma escala muito maior e permitiu uma mais rápida divulgação dos valores humanistas do Renascimento.

















     As expressões do Renascimento

Renascimento artístico e cultural
Os valores do Renascimento foram decisivos para as mudanças culturais que passaram a ocorrer. O espírito crítico, defendido pelo racionalismo, despertou o desenvolvimento do conhecimento científico. Da mesma forma a valorização do ser humano representou para a literatura, para a filosofia e para as artes plásticas uma verdadeira revolução.
Artes plásticas e Literatura
Com o Renascimento a produção artística e intelectual foi se afastando da religiosidade e da forte influência da Igreja Católica. Tanto as artes plásticas como a literatura passaram a acompanhar as ideias humanistas do período. Assim, além de aspectos religiosos, artistas e escritores passaram a se interessar e explorar outras questões da sociedade dando maior destaque para o indivíduo.  As principais expressões artísticas do Renascimento foram a pintura, a escultura e a arquitetura. De maneira geral, inspirando-se na Antiguidade, principalmente em modelos clássicos de gregos e romanos, os renascentistas procuravam substituir a fé e os valores feudais que caracterizavam as obras medievais pelo espírito humanista, produzindo assim, obras mais próximas a realidade.

Os pintores aperfeiçoaram a  técnica da perspectiva, permitindo dar uma sensação de profundidade, a pintura a óleo, criando cores mais vivas e atraentes, e desenvolveram técnicas de pintura, como o jogo de luz e sombra que dava expressão aos objetos e seres em cena. Com isso, cenas do cotidiano e paisagens naturais, ignoradas pelos artistas medievais, passaram a ser representadas. O corpo humano, antes esquecido ou escondido, foi valorizado na escultura e na pintura. Na arquitetura, ocorre o rompimento com o estilo gótico[4] e na construção de palácios e igrejas foram retomadas as linhas retas, as colunas e arcos que caracterizavam a arquitetura greco-romana. Nas artes devemos destacar: Leonardo Da Vinci , Sandro Botticelli Rafael Sanzio,  e Michelangelo.
























O humanismo e o racionalismo significaram grandes mudanças também na literatura. Inspirados em Homero e Platão, por exemplo, vários escritores procuraram recuperar o estilo da Antiguidade Clássica. O aperfeiçoamento da imprensa, que permitiu a impressão de muitas páginas em pouco tempo, teve grande importância para a divulgação das obras. Entre os principais escritores podemos citar: Thomas Morus, William Shakespeare, Erasmo de Roterdã, Miguel de Cervantes, Luís de Camões e Nicolau Maquiavel.

Renascimento científico

A expansão dos valores do Renascimento não permitiu somente o desenvolvimento de novas formas de arte.  Alguns estudiosos falam que o período foi marcado pelo  “renascimento científico”, onde vários campos do conhecimento como a astronomia, a matemática, a física e a medicina avançaram. A renovação da mentalidade trouxe grande benefício para a ciência, que passou por inúmeras mudanças. Resgatando o conhecimento construído pelos pensadores da antiguidade e o comparando a novas descobertas baseadas na observação, os renascentistas foram dando respostas a inúmeras perguntas e modificando o entendimento daquilo que até então era tido como verdadeiro e defendido pela Igreja Católica.
A postura crítica dos novos cientistas, que colocavam em dúvida o conhecimento e as tradições medievais, foi essencial para a construção do novo conhecimento. Tudo aquilo que não podia ser comprovado não deveria ser aceito como verdadeiro. Através da razão, os homens desse tempo rompiam com o monopólio de conhecimento exercido pela Igreja ao longo da Idade Média.

Estudos de anatomia humana e a medicina
A preocupação com o ser humano foi marcante entre os renascentistas. Nesse período realizaram-se importantes estudos visando um maior conhecimento sobre o corpo humano. Vários cientistas se dedicaram a saber mais sobre o funcionamento do corpo humano. Por meio da dissecação de cadáveres, André Vesálio (1514-1564) e Miguel de Servet (1511-1553) possibilitaram importantes progressos no campo da anatomia. Ambos foram acusados de heresia pela igreja católica. Ainda no campo da medicina, o suíço Paracelso (1493 – 1541) comprovou a importância dos estudos químicos para o desenvolvimento do saber médico.

Novas tecnologias
As grandes navegações que possibilitaram a “descoberta,” conquista e exploração da América só foram possíveis devido aos avanços tecnológicos.  Instrumentos como a  bússola e o astrolábio, o desenvolvimento da cartografia e o aperfeiçoamento de embarcações beneficiaram a expansão marítima. O aprimoramento da pólvora permitiu o surgimento das primeiras armas de fogo e transformou radicalmente a estratégia militar.  Além disso, a invenção do relógio mecânico, ainda no século XIV, foi uma das mais revolucionarias e  ilustra bem o novo momento vivido.

Física e Astronomia    
  Uma das principais teorias apresentadas durante o Renascimento foi a heliocêntrica, apresentada por Nicolau Copérnico em 1543. A teoria defendia que o Sol ocupava o centro do universo e negava a teoria geocêntrica, formulada por Ptolomeu, que prevaleceu durante a Idade Média e afirmava que era a Terra que estava no centro do universo. Pela teoria heliocêntrica é a Terra que gira em torno do Sol.
   Mais tarde, Galileu Galilei (1564 – 1642) comprovou essa teoria através de cálculos e do uso de um telescópio desenvolvido por ele mesmo. Galileu também teve importância por formular a lei da queda dos corpos. Outro cientista importante que ajudou  a comprovar a teoria de Copérnico foi Johannes Kepler (1571 – 1630). Por ter realizado importantes  experimentos relacionados à hidráulica e à hidrostática, Leonardo da Vinci também é apontado como um dos grandes físicos da época.


          
                                                       A repressão da Igreja Católica
Para a igreja, duvidar da verdade estabelecida por ela ou estimular a curiosidade por novos conhecimentos eram atitudes consideradas desrespeitosas e ofensivas. Apesar de discordarem da Igreja, os renascentistas não eram ateus e nem romperam com a religiosidade que marcava o período medieval. Mesmo assim, muitos foram acusados de heresia, considerados inimigos da igreja e duramente perseguidos pelas autoridades religiosas. O instrumento utilizado pela Igreja Católica foi o Tribunal da InquisiçãoEsse tribunal foi criado no século XIII com a função de garantir que a doutrina da igreja fosse respeitada e de investigar e punir aqueles que ousaram não aceitar os conhecimentos defendidos pelas autoridades católicas. Galileu Galilei, por exemplo, foi acusado de heresia por defender a teoria heliocêntrica de Copérnico e para livrar-se da morte na fogueira negou publicamente suas convicções. O filosofo italiano, Giordano Bruno, não teve a mesma sorte e por defender a ideia de que o universo é infinito foi queimado na fogueira da inquisição em 1600.


Questões

1) Com suas palavras, diga o que foi o Renascimento.

2) Quais eram as características marcantes do homem do Renascimento? De que maneira os renascentistas pretendiam construir um novo conhecimento?

3) Cite e explique os principais valores do movimento renascentista.

4) Quem eram os mecenas? Por que os artistas e intelectuais do Renascimento se concentraram nas maiores e mais ricas cidades?

5) Por que o desenvolvimento da imprensa foi tão importante para o Renascimento?

6) Escreva sobre as diferenças entre os valores medievais e os valores renascentistas que marcaram o início dos tempos modernos.

7) Ao romperem com a visão que a igreja tinha sobre o mundo os renascentistas estavam negando a existência de Deus? Justifique a sua resposta.

8) Explique a diferença entre teocentrismo e antropocentrismo e geocentrismo e heliocentrismo.

9) Quem foi o autor da teoria heliocêntrica? O que ele afirmava com essa teoria?

10) Por que podemos dizer que as descobertas marítimas estão profundamente ligadas ao Renascimento?

11) Descreva  as principais características da arte renascentista e cite o nome de alguns artistas do período.

12)  Como e porque a Igreja Católica reagiu diante das novas ideias divulgadas pelo renascimento?

13) Para você, o renascimento trouxe somente avanços e prosperidade? Seu valores atingiram a todos? Justifique as suas respostas.


 [1] O século XV e XVI é marcado por importantes episódios que não podem ser compreendidos de forma separada. A conquista da América, a Reforma Protestante e o Renascimento, portanto, são episódios que se completam. O Renascimento modificou o modo de pensar, sendo decisivo para a expansão marítima e para a contestação que a Igreja Católica passou a sofrer, porém, ao mesmo tempo, tanto as descobertas de novas terras quanto o ataque contra a Igreja influenciaram a nova maneira de pensar que caracterizou o homem moderno.

[2] A partir dessa visão se criou a falsa ideia de que a Idade Média foi um período completamente perdido, no qual não ocorreram avanços. Apesar de ser um período profundamente influenciado pelo poder da Igreja e marcado pelos constantes conflitos armados, foi durante a Idade Média que surgiram, por exemplo, as primeiras universidades.  Além disso, apesar de retratar a forte presença religiosa na mentalidade das pessoas, esse período conheceu uma vasta produção artística com destaque na literatura, na arquitetura, na pintura e na música. Há inclusive autores que afirmam que o próprio termo Renascimento é equivocado, já que durante Idade Média os estudos da cultura clássica nunca foram abandonados.

[3] A Península Itálica foi o principal centro da produção artística durante o Renascimento e seu auge ocorreu entre 1450 e 1550. Esse período costuma ser divido em três fases: trecento (séc. XIV), trocento (séc. XV) e cinquecento (séc. XVI). A partir do século XVI, convidados por reis, príncipes e outras autoridades, artistas de diversas áreas passaram a viajar por toda a Europa e a difundir o movimento.

[4] Os renascentistas chamavam de gótico um estilo que consideravam de mau gosto, exótico e marcado de apelos decorativos e pelo exagero da altura das suas torres. O estilo gótico caracterizou-se pelas construções religiosas. 


Comentários

  1. o renascimento foi um movimento com centralização ao homem e permitiu avanços significativos na Europa e no resto do mundo comparativamente a idade media.

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