Pular para o conteúdo principal
Minha foto Professor Gabriel
Minha foto Professor Gabriel
Graduado e mestre em História pela Universidade de Passo Fundo. Professor, historiador e apaixonado pelo ofício de ensinar. Um sonhador que acredita na capacidade transformadora da educação pública. Atualmente, gestor de uma escola da rede pública de educação do Rio Grande do Sul.

    As mudanças ocorridas ao longo do Neolítico e da chamada Idade dos Metais transformaram profundamente a vida de diferentes grupos humanos. O desenvolvimento da agricultura, a criação de animais, o crescimento das aldeias, a especialização do trabalho e o aumento das trocas contribuíram, em alguns lugares, para o surgimento de sociedades mais populosas e complexas. Essas transformações não aconteceram ao mesmo tempo nem da mesma maneira em todas as regiões. Entre os lugares onde elas ocorreram muito cedo estava a Mesopotâmia, região que se desenvolveu principalmente entre os rios Tigre e Eufrates. Ali surgiram algumas das primeiras grandes cidades conhecidas e formas cada vez mais complexas de organização política, econômica e social. Ao longo de milhares de anos, diferentes povos viveram, disputaram e governaram partes da Mesopotâmia. Entre os mais importantes para o nosso estudo estão os sumérios, acádios, babilônios, assírios e neobabilônios. Esses povos não viveram todos ao mesmo tempo e não formaram uma única civilização. Mesmo assim, compartilharam e transformaram muitos elementos culturais, religiosos, econômicos e políticos.

Localização e condições geográficas da Mesopotâmia

A palavra Mesopotâmia tem origem grega e significa, aproximadamente, “terra entre rios”. A região localizava-se principalmente no território do atual Iraque e também alcançava áreas que hoje pertencem à Síria e à Turquia. Os rios Tigre e Eufrates eram fundamentais para a vida da população. Em várias áreas do sul, as chuvas eram insuficientes para garantir boas colheitas, por isso a agricultura dependia do aproveitamento das águas dos rios. As cheias podiam fertilizar as terras, mas também eram irregulares e, em alguns momentos, destrutivas.

Para aproveitar melhor a água, as comunidades construíram canais, diques, reservatórios e outras obras de irrigação. Essas construções exigiam organização, trabalho coletivo e formas de administração. A irrigação foi um dos fatores importantes para o crescimento das aldeias e das cidades, mas não foi a única causa do surgimento de governos e Estados. A Mesopotâmia também ocupava uma posição favorável às trocas. Como a região possuía pouca madeira, pedra e metais, seus habitantes mantinham contatos comerciais com áreas vizinhas para obter matérias-primas. Dessa forma, a agricultura, o comércio e a circulação de diferentes povos ajudaram a transformar a região em um importante espaço de contatos culturais.

Os sumérios e as primeiras cidades

Na parte sul da Mesopotâmia, a partir do quarto milênio a.C., cresceram importantes centros urbanos. Entre eles estavam Uruk, Ur, Eridu, Lagash e Nippur. Essas cidades estavam ligadas à cultura que chamamos de suméria. A origem dos sumérios ainda é discutida pelos estudiosos. Por isso, não é seguro afirmar que chegaram à Mesopotâmia vindos de uma região específica. O que sabemos é que, por volta de 3500 a.C., as cidades do sul já apresentavam grande desenvolvimento urbano.

Muitas dessas cidades eram cidades-Estado, isto é, possuíam governo, território e instituições próprias. Os governantes podiam receber títulos como ensi ou lugal. Em livros didáticos mais antigos também aparece o termo patesi. O poder político estava profundamente ligado à religião, e os templos ocupavam lugar de destaque na vida econômica e social. A agricultura irrigada era a base da produção. Os sumérios também desenvolveram intensas atividades comerciais e artesanais. Cerâmica, tecelagem, metalurgia e trabalhos em pedra faziam parte da vida urbana.

Os habitantes da Mesopotâmia também estiveram entre os primeiros povos a utilizar veículos com rodas. Entretanto, não é possível afirmar com segurança que a roda tenha sido inventada exclusivamente pelos sumérios, pois evidências antigas de seu uso aparecem também em outras regiões.

A escrita cuneiforme

Uma das maiores contribuições das cidades da Mesopotâmia foi o desenvolvimento da escrita. Os primeiros registros conhecidos no sul mesopotâmico surgiram por volta de 3300 a.C. e estavam muito ligados à administração de produtos, tributos, estoques e atividades comerciais.

Inicialmente, eram utilizados desenhos e sinais gravados em pequenas placas de argila. Com o tempo, esses sinais se tornaram mais abstratos e passaram a ser impressos com um instrumento em forma de cunha. Por isso, essa escrita ficou conhecida como escrita cuneiforme. A escrita cuneiforme não permaneceu limitada aos sumérios. Ao longo dos séculos, foi adaptada por diferentes povos e utilizada para registrar leis, contratos, cartas, textos religiosos, poemas, relatos de guerra e obras literárias.

O Império Acádio

As cidades sumérias frequentemente competiam entre si pelo controle de terras, canais, rotas e recursos. Por volta de 2330 a.C., Sargão de Acádia conquistou diversas cidades da região e formou um grande império territorial. O chamado Império Acádio reuniu sob uma mesma autoridade diferentes cidades e povos da Mesopotâmia e de áreas vizinhas. Por isso, costuma ser apresentado como um dos primeiros grandes impérios da Antiguidade.

Depois de aproximadamente dois séculos, o poder acádio enfraqueceu. A região voltou a passar por divisões e novas dinastias, entre elas a Terceira Dinastia de Ur. Mais tarde, grupos amoritas passaram a controlar várias cidades e um desses centros, Babilônia, ganhou enorme importância.

Babilônios e o reinado de Hamurábi

A cidade da Babilônia ganhou destaque no início do segundo milênio a.C. Seu governante mais conhecido foi Hamurábi, que reinou aproximadamente entre 1792 e 1750 a.C. Hamurábi ampliou seus domínios por meio de alianças e conquistas militares e transformou a Babilônia no principal centro político de grande parte da Mesopotâmia. Também promoveu obras, cuidou de canais de irrigação e fortaleceu a administração do reino.


O Código de Hamurábi

Hamurábi ficou especialmente conhecido por mandar reunir e registrar um amplo conjunto de leis. Essas normas foram gravadas em uma grande estela de pedra e abordavam temas como família, propriedade, comércio, dívidas, trabalho, escravidão e punições. O chamado Código de Hamurábi é um dos mais completos conjuntos de leis da Antiguidade que chegaram até nós, mas não foi o primeiro código de leis da história.

Algumas de suas normas aplicavam o princípio que mais tarde ficou conhecido como Lei de Talião, resumido pela expressão “olho por olho, dente por dente”. Entretanto, nem todas as punições funcionavam dessa maneira. As penas também variavam conforme a posição social das pessoas envolvidas, o que mostra que aquela sociedade era profundamente desigual. Após a morte de Hamurábi, seus sucessores não conseguiram manter a mesma extensão territorial. Em 1595 a.C., uma expedição hitita saqueou a Babilônia. Os hititas, entretanto, não permaneceram governando a Mesopotâmia. Depois desse episódio, uma dinastia de origem cassita controlou a Babilônia durante vários séculos.

Os assírios

Os assírios se desenvolveram principalmente no norte da Mesopotâmia, em torno de cidades como Assur e Nínive. Ao longo de muitos séculos, ampliaram sua influência e formaram diferentes reinos. Entre os séculos IX e VII a.C., o chamado Império Neoassírio tornou-se uma das maiores potências do Oriente Próximo. Seu exército utilizava infantaria, cavalaria, carros de guerra, armas de ferro e sofisticadas técnicas de cerco.

Os reis assírios também empregavam deportações em massa e demonstrações de violência para controlar os povos conquistados. As próprias inscrições reais assírias faziam questão de destacar a força e o medo provocados pelo exército, por isso devemos ter cuidado ao interpretar essas descrições apenas como retratos objetivos da realidade.

Um dos governantes mais conhecidos foi Assurbanípal. Durante seu reinado, no século VII a.C., o império atingiu grande extensão e realizou campanhas militares inclusive no Egito. Assurbanípal também reuniu em Nínive milhares de tabletes cuneiformes, formando a famosa Biblioteca de Nínive. No final do século VII a.C., revoltas internas e ataques de inimigos enfraqueceram o império. Em 612 a.C., Nínive foi conquistada por uma aliança de babilônios e medos. Poucos anos depois, o domínio assírio chegou ao fim.

O Segundo Império Babilônico

Com o enfraquecimento dos assírios, a Babilônia voltou a se tornar o centro de um grande reino. Esse período é conhecido como Império Neobabilônico ou Segundo Império Babilônico. O fundador dessa nova dinastia foi Nabopolassar, mas o governante de maior destaque foi seu filho, Nabucodonosor II, que reinou entre 605 e 562 a.C. Durante seu governo, a Babilônia foi ampliada e embelezada com muralhas, palácios, templos e grandes portas monumentais. Nabucodonosor também realizou campanhas militares no Oriente Próximo. Jerusalém foi conquistada em diferentes momentos, especialmente em 597 e em 587/586 a.C. Parte da população de Judá foi deportada para a Babilônia. Esse episódio ficou conhecido como Cativeiro ou Exílio da Babilônia.

Os famosos Jardins Suspensos da Babilônia são tradicionalmente associados a esse período. Entretanto, sua existência e localização continuam sendo discutidas pelos historiadores e arqueólogos, pois não há confirmação segura de que tenham sido construídos na própria Babilônia. A chamada Torre de Babel, conhecida pelo relato bíblico, costuma ser relacionada ao grande zigurate Etemenanki, dedicado ao deus Marduk. Não podemos, porém, tratar o relato bíblico e o monumento arqueológico como se fossem exatamente a mesma coisa. Em 539 a.C., a Babilônia foi conquistada pelos persas comandados por Ciro II, conhecido como Ciro, o Grande. A partir desse momento, a Mesopotâmia passou a fazer parte do Império Persa.

A organização social, política e econômica

Apesar das diferenças entre os diversos povos e períodos da história mesopotâmica, algumas características gerais podem ser observadas. É importante lembrar, porém, que uma sociedade que existiu durante milhares de anos não permaneceu igual o tempo todo.

Sociedade


As sociedades mesopotâmicas eram hierarquizadas. Reis, membros das elites, grandes proprietários, sacerdotes e altos funcionários ocupavam posições privilegiadas. Artesãos, comerciantes, agricultores e trabalhadores urbanos formavam grande parte da população. Também existiam pessoas em diferentes graus de dependência e pessoas escravizadas. A escravidão podia resultar de guerras, dívidas ou outras formas de submissão. Mesmo assim, os escravizados não constituíam a maioria da população trabalhadora em todos os períodos. As leis mostram que os direitos e as punições podiam variar de acordo com a posição social. Por isso, é mais correto falar em diferentes grupos sociais do que imaginar uma divisão idêntica e fixa para todos os povos da Mesopotâmia.

Política

O poder político variou bastante. Em alguns períodos existiram cidades-Estado independentes; em outros, grandes reinos e impérios. Os governantes mantinham uma relação estreita com a religião. Em geral, eram apresentados como escolhidos ou protegidos pelos deuses e tinham a responsabilidade de garantir a ordem, a justiça, a defesa e a prosperidade do território. O rei era auxiliado por sacerdotes, escribas, militares, administradores e outros funcionários. A escrita foi fundamental para registrar impostos, estoques, contratos, decisões e ordens do governo.

Economia

A agricultura irrigada era uma das bases da economia mesopotâmica. Cevada, trigo, tâmaras e outros produtos eram cultivados em diferentes regiões. A criação de animais, o artesanato e o comércio também tinham grande importância. Como a Mesopotâmia possuía poucos recursos como madeira, metais e determinadas pedras, esses produtos precisavam ser obtidos por meio de redes comerciais que alcançavam regiões distantes. Os mesopotâmicos desenvolveram sistemas de empréstimos, contratos e cobrança de juros. A prata era frequentemente usada como medida de valor e podia ser pesada nas transações. Isso não significa, porém, que existissem moedas cunhadas como as que surgiriam posteriormente em outras regiões.

Religião

A religião fazia parte de praticamente todos os aspectos da vida mesopotâmica. Os povos da região eram politeístas e cultuavam diferentes divindades.Cada cidade possuía divindades protetoras, mas muitos deuses eram conhecidos em várias regiões. Entre eles estavam Anu, Enlil, Enki/Ea, Inanna/Ishtar, Shamash e Marduk. Os deuses eram relacionados às forças da natureza, à fertilidade, ao céu, às águas, à justiça, à guerra e a muitas outras dimensões da vida.  Uma das construções mais conhecidas da Mesopotâmia era o zigurate. Tratava-se de uma grande estrutura em plataformas sobrepostas associada aos templos e ao culto religioso. No alto podia existir um santuário dedicado à divindade da cidade. Os zigurates não eram pirâmides funerárias como as do Egito. Sua função estava ligada principalmente à religião e à vida dos templos.

Conhecimentos e legado

Os povos da Mesopotâmia desenvolveram importantes conhecimentos em matemática, astronomia, arquitetura, medicina, administração e escrita. Na matemática, utilizaram um sistema numérico de base 60. Essa tradição ajuda a explicar por que ainda hoje dividimos a hora em 60 minutos, o minuto em 60 segundos e o círculo em 360 graus.

Os estudiosos mesopotâmicos observaram cuidadosamente os movimentos do Sol, da Lua e dos planetas. Elaboraram calendários baseados principalmente nos ciclos lunares e desenvolveram conhecimentos astronômicos cada vez mais precisos. A astrologia também teve grande importância. Os movimentos dos astros eram interpretados como sinais capazes de revelar a vontade dos deuses e indicar acontecimentos futuros.

A escrita permitiu registrar conhecimentos, leis, narrativas, acordos e acontecimentos. Entre as obras literárias mais famosas da Mesopotâmia está a Epopeia de Gilgamesh, que reúne antigas narrativas sobre o rei de Uruk. O legado mesopotâmico não deve ser entendido como uma lista de “invenções” que chegaram diretamente até nós sem mudanças. Muitos conhecimentos foram transmitidos, adaptados e transformados por diferentes povos ao longo de milhares de anos.

Atividades

1.       Explique por que a Mesopotâmia foi uma região favorável ao desenvolvimento de sociedades urbanas.

2.       Qual era a importância dos rios Tigre e Eufrates para a agricultura?

3.       Por que a construção de canais e diques exigia organização coletiva?

4.       O que eram as cidades-Estado sumérias?

5.       Por que devemos ter cuidado ao afirmar que os sumérios “inventaram a roda”?

6.       Como surgiu a escrita cuneiforme e para que ela era utilizada inicialmente?

7.       Quem foi Sargão de Acádia e qual foi a importância do Império Acádio?

8.       Por que Hamurábi se tornou um dos governantes mais conhecidos da Babilônia?

9.       Explique por que o Código de Hamurábi não pode ser resumido apenas à expressão “olho por olho, dente por dente”.

10.   O que aconteceu com a Babilônia depois do reinado de Hamurábi?

11.   Quais características ajudaram o Império Assírio a se expandir?

12.   Qual foi a importância da Biblioteca de Nínive?

13.   Como terminou o domínio assírio na Mesopotâmia?

14.   Quem foi Nabucodonosor II e quais acontecimentos marcaram seu reinado?

15.   O que foi o Cativeiro da Babilônia?

16.   Por que os Jardins Suspensos da Babilônia devem ser apresentados com cautela?

17.   Como estavam organizadas, de maneira geral, as sociedades mesopotâmicas?

18.   Quais eram as principais atividades econômicas da Mesopotâmia?

19.   Como a religião influenciava a vida política e social?

20.   O que eram os zigurates?

21.   Que conhecimentos matemáticos e astronômicos desenvolvidos na Mesopotâmia tiveram influência duradoura?

22.   Por que não é correto imaginar os povos da Mesopotâmia como uma única civilização que permaneceu igual durante milhares de anos?

Referências bibliográficas

LIVERANI, Mario. Antigo Oriente: história, sociedade e economia. São Paulo: Edusp, 2016.

LEICK, Gwendolyn. Mesopotâmia: a invenção da cidade. Rio de Janeiro: Imago, 2003.

KRAMER, Samuel Noah. A história começa na Suméria. Lisboa: Europa-América, 1997.

KRAMER, Samuel Noah. Mesopotâmia: o berço da civilização. Rio de Janeiro: José Olympio, 1969.

LÉVÊQUE, Pierre. As primeiras civilizações. Lisboa: Edições 70, 2009.


Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

9.3 - O Imperialismo do século XIX

  A partir do século XV as potências mais desenvolvidas passaram a sentir a necessidade de expandir seus mercados. Nesse primeiro período, portugueses, espanhóis, ingleses e franceses estabeleceram, na América, colônias que ao serem exploradas garantiam grandes lucros. Entretanto, no século XIX grandes transformações políticas e econômicas e o rompimento do chamado sistema colonial provocaram o início de uma nova disputa por colônias, essencialmente ligada as consequências da Segunda Revolução Industrial. Com o assombroso aumento da produção verificado nesse momento, as grandes potências iniciaram uma nova corrida colonial em busca de mercados consumidores de produtos industrializados e fornecedores de matérias-primas. Nesse novo sistema colonial, chamado de imperialismo [1] , a África e boa parte da Ásia foram dominadas e divididas entre as principais potências capitalistas do período.

8.5 - A chegada da família real ao Brasil em 1808

A expansão militar e territorial de Napoleão Bonaparte na Europa esteve diretamente relacionada a vinda da família real portuguesa para o Brasil no ano de 1808. Portugal era importante aliado político e parceiro comercial da Inglaterra, principal rival de Napoleão e alvo direto do Bloqueio Continental. No momento em que o imperador francês anunciou o decreto, o príncipe regente de Portugal, D. João [1] , ficou sem muitas alternativas, sendo ameaçado tanto por Napoleão, que exigia que o decreto fosse respeitado, quanto pelo rei da Inglaterra, Jorge III.  O governo português temia inclusive que suas colônias fora da Europa pudessem ser tomadas pelos ingleses.  Pressionado pelos dois lados e sem força militar para resistir a qualquer invasão, D. João vivia um grande dilema: o que fazer para não perder a coroa e o próprio país? 

O ciclo do açúcar e a escravidão no Brasil

A partir de 1530 Portugal deu início de fato a colonização do Brasil ocupando seu território  e organizando o governo para a colônia.  Para realmente povoar a terra e garantir a sua posse os portugueses perceberam que era necessário desenvolver uma atividade econômica que compensasse o empreendimento e que provocasse o cultivo permanente do solo. Por várias razões os portugueses escolheram a produção de açúcar para garantir a colonização. As primeiras mudas de cana de açúcar chegaram ao Brasil pelas mãos de Martin Afonso por volta de 1533 e o primeiro engenho foi instalado na capitania e São Vicente. Durante os séculos XVI e XVII o açúcar foi o principal produto exportado pela colônia portuguesa na América.  Ninguém no mundo produzia mais açúcar do que Portugal.