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Minha foto Professor Gabriel
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Graduado e mestre em História pela Universidade de Passo Fundo. Professor, historiador e apaixonado pelo ofício de ensinar. Um sonhador que acredita na capacidade transformadora da educação pública. Atualmente, gestor de uma escola da rede pública de educação do Rio Grande do Sul.

Introdução ao estudo da História


O que é História?

    A História é um campo das Ciências Humanas que estuda as experiências dos seres humanos ao longo do tempo. Procura compreender como diferentes sociedades viveram, trabalharam, pensaram, acreditaram, organizaram-se, relacionaram-se entre si e transformaram os espaços em que viviam.

   Os historiadores pesquisam acontecimentos e processos, mudanças e permanências, conflitos e relações sociais. Estudam aspectos políticos e econômicos, mas também costumes, crenças, manifestações culturais, relações familiares, formas de trabalho, alimentação, educação, festas, brincadeiras e muitos outros aspectos da vida humana.

    Isso significa que a História não trata somente de reis, governantes, guerras ou pessoas famosas. Todos os seres humanos participam da construção da História. Mulheres, homens, crianças, trabalhadores, povos indígenas, populações africanas e afrodescendentes, migrantes e diferentes grupos sociais são sujeitos históricos.

     Estudar História contribui para compreender como o mundo em que vivemos foi construído. Nossos costumes, instituições, direitos, desigualdades, crenças e formas de organização possuem trajetórias históricas. Conhecê-las ajuda a analisar criticamente o presente e a participar de maneira mais consciente da sociedade.

O trabalho do historiador

    O historiador é o profissional que pesquisa e produz conhecimento sobre as experiências humanas ao longo do tempo. Para realizar seu trabalho, formula perguntas, localiza fontes, analisa evidências, compara informações, considera o contexto em que os registros foram produzidos e constrói explicações fundamentadas sobre o tema estudado.

    O historiador não consegue observar diretamente a maior parte dos acontecimentos do passado. Por isso, seu trabalho depende dos vestígios deixados pelas sociedades. Esses vestígios, entretanto, não “contam” o passado sozinhos. Eles precisam ser interrogados, contextualizados e comparados.

    Também não é possível reconstruir o passado exatamente como se fosse possível reproduzi-lo diante de nossos olhos. A partir das fontes disponíveis e dos métodos de pesquisa, o historiador produz interpretações fundamentadas. Novas fontes, novas perguntas ou novos métodos podem ampliar, corrigir ou modificar conhecimentos produzidos anteriormente.

    As perguntas formuladas pelos historiadores surgem no presente, mas compreender o passado exige atenção aos valores, conceitos e circunstâncias de cada época. Julgar automaticamente sociedades antigas a partir de ideias atuais pode produzir anacronismos, isto é, interpretações que deslocam para uma época conceitos ou valores que pertencem a outro contexto histórico.

Fontes históricas

   Fontes históricas são vestígios, registros ou testemunhos utilizados para pesquisar as experiências humanas. Um objeto, documento, relato ou registro torna-se fonte para determinada investigação quando é analisado a partir de uma pergunta de pesquisa.

   As fontes podem ser classificadas de diferentes maneiras. Essas classificações são instrumentos de estudo e não categorias rígidas, pois uma mesma fonte pode reunir características de mais de um tipo.

Fontes escritas: cartas, livros, jornais, revistas, documentos oficiais, diários, leis, inscrições, receitas, certidões e mensagens.

Fontes materiais: utensílios, ferramentas, moedas, armas, roupas, construções, brinquedos, monumentos, sepultamentos e restos de habitações.

Fontes visuais: pinturas, fotografias, desenhos, cartazes, mapas, esculturas e gravuras.

Fontes orais: entrevistas, depoimentos, histórias de vida, cantos, lendas, memórias e tradições transmitidas oralmente.

Fontes audiovisuais: filmes, gravações, programas de televisão, documentários e outros registros que combinam imagens e sons.

Fontes digitais: páginas da internet, publicações em redes sociais, arquivos eletrônicos, fotografias digitais, mensagens e outros registros produzidos ou preservados em meios digitais.

   Uma fotografia publicada em uma rede social, por exemplo, pode ser ao mesmo tempo uma fonte visual e digital. Uma entrevista gravada em vídeo pode ser oral, audiovisual e digital. Por isso, mais importante do que encaixar rigidamente uma fonte em uma categoria é compreender como ela foi produzida e o que pode revelar sobre o problema investigado.

   Nenhuma fonte explica sozinha tudo o que aconteceu. Toda fonte foi produzida em determinado tempo e lugar e traz marcas de quem a produziu, das circunstâncias de sua produção e de seus possíveis objetivos. Ao analisar uma fonte, o historiador pode perguntar: quem a produziu? Quando e onde foi produzida? Para quem se destinava? Com qual finalidade? O que revela? O que silencia ou não permite conhecer? Outras fontes confirmam, complementam ou contradizem suas informações?

    Em determinadas pesquisas, as fontes podem ser classificadas como primárias ou secundárias. Fontes primárias são aquelas diretamente relacionadas ao contexto que está sendo investigado. Fontes secundárias correspondem, em geral, a estudos e interpretações elaborados posteriormente por pesquisadores.

   Essa classificação depende da pergunta de pesquisa. Um livro didático atual pode ser uma fonte secundária em uma investigação sobre a Roma Antiga. Porém, o mesmo livro pode tornar-se fonte primária em uma pesquisa sobre como a História era ensinada no início do século XXI.

Conhecimento histórico, evidências e interpretações

   O conhecimento histórico não é definitivo ou imutável. Ele pode ser ampliado ou revisto quando surgem novas fontes, novas perguntas ou diferentes métodos de investigação.

   Isso não significa que a História seja apenas uma coleção de opiniões pessoais. Uma interpretação histórica precisa estar fundamentada em evidências, argumentos e procedimentos de pesquisa. O historiador deve demonstrar como utilizou as fontes e de que maneira chegou às suas conclusões.

   Dois historiadores podem formular perguntas diferentes sobre o mesmo acontecimento e destacar aspectos distintos. Também podem divergir na interpretação das evidências. Essas divergências fazem parte da produção do conhecimento histórico, desde que os argumentos possam ser confrontados com as fontes e com os métodos empregados.

   Nem todas as interpretações, portanto, possuem o mesmo valor. Uma afirmação sem evidências, que ignora documentos relevantes ou distorce informações, não possui a mesma validade que uma pesquisa construída com método, crítica das fontes, comparação de evidências e responsabilidade intelectual.

O conhecimento histórico é interpretativo, mas isso não significa que seja uma opinião qualquer.

TEXTO DE APOIO: OS CEGOS E O ELEFANTE

[INSERIR AQUI O LINK PARA O TEXTO COMPLEMENTAR “OS CEGOS E O ELEFANTE”]

Leia o texto complementar “Os Cegos e o Elefante” e observe como diferentes pessoas podem perceber partes distintas de uma mesma realidade. A narrativa pode ajudar a pensar sobre a necessidade de comparar fontes e perspectivas. A comparação, porém, possui limites: as fontes históricas não são simples pedaços do passado que falam por si mesmas. Elas precisam ser analisadas, contextualizadas e interpretadas.

Questões para reflexão

  1. Por que os sábios apresentaram explicações diferentes sobre o elefante?

  2. Podemos afirmar que algum deles estava completamente correto? Explique.

  3. O que o elefante pode representar quando relacionamos a narrativa ao estudo da História?

  4. De que maneira cada sábio pode ser comparado a um pesquisador que teve acesso apenas a parte das evidências disponíveis?

  5. Por que o historiador deve comparar diferentes fontes antes de apresentar suas conclusões?

  6. Mesmo reunindo as diferentes percepções dos sábios, seria possível conhecer completamente o elefante? Relacione sua resposta aos limites do conhecimento histórico.

Acontecimentos e processos históricos

    Durante muito tempo, parte significativa da historiografia concentrou maior atenção em guerras, governos, revoluções, instituições políticas e personagens considerados importantes. A ampliação dos temas e das abordagens históricas permitiu investigar também a vida cotidiana, as comunidades, as famílias, as festas, as brincadeiras, a alimentação, as relações de gênero, os movimentos sociais e as experiências de pessoas comuns.

  Um acontecimento não precisa provocar uma transformação mundial para ser estudado historicamente. Sua importância depende das perguntas formuladas e das relações que podem ser estabelecidas com determinada sociedade, comunidade ou período.

   Além dos acontecimentos, a História também estuda processos históricos. Um acontecimento pode ocorrer em um intervalo relativamente curto, enquanto um processo se desenvolve durante períodos mais extensos e pode envolver diferentes acontecimentos, grupos sociais e transformações.

   Ao analisar esses processos, os historiadores procuram identificar mudanças, permanências, rupturas e simultaneidades. Mudanças correspondem aos aspectos que se transformam com o passar do tempo. Permanências são práticas, ideias, instituições ou relações que continuam existindo ou se modificam de maneira mais lenta.

  As rupturas correspondem a transformações significativas em relação a situações anteriores. Entretanto, uma ruptura raramente apaga tudo o que existia antes: mudanças profundas podem conviver com permanências. Já o estudo das simultaneidades permite perceber acontecimentos e processos que ocorrem no mesmo período em diferentes lugares.

    Dessa forma, o estudo histórico mostra que as sociedades não mudam de maneira uniforme. Enquanto alguns aspectos se transformam rapidamente, outros permanecem durante longos períodos, e diferentes processos podem ocorrer simultaneamente em regiões distintas.

A História e outras áreas do conhecimento

   Para compreender os diferentes aspectos das sociedades, os historiadores dialogam com outras áreas do conhecimento. Essa colaboração amplia as possibilidades de investigação e permite analisar o passado por meio de diferentes tipos de evidências.

A Arqueologia investiga sociedades humanas por meio de seus vestígios materiais, como objetos, construções, ferramentas, resíduos e restos de ocupações. A Antropologia contribui para o estudo das culturas, das formas de organização social e da diversidade das experiências humanas.

A Geografia permite analisar as relações entre as sociedades e os espaços que ocupam, utilizam e transformam. A Sociologia, por sua vez, contribui para compreender relações sociais, instituições, grupos e formas de organização da sociedade.

A Paleontologia estuda formas de vida do passado principalmente por meio dos fósseis, enquanto a Geologia pesquisa a formação, a estrutura e as transformações do planeta Terra. A Paleoantropologia, de caráter interdisciplinar, dedica-se especialmente ao estudo da evolução humana e utiliza evidências provenientes de fósseis, sítios arqueológicos e outras áreas científicas.

    Outros campos, como a Genética, a Linguística, a Economia e a Ciência Política, também podem contribuir para determinadas pesquisas históricas. Cada área possui seus próprios objetivos e métodos, mas o diálogo entre diferentes conhecimentos pode ampliar nossa compreensão das sociedades humanas.

O tempo e a divisão da História

   Para organizar e estudar processos históricos muito extensos, os historiadores criaram diferentes formas de periodização. Periodizar significa estabelecer recortes no tempo histórico a partir de determinados critérios, acontecimentos ou transformações. Essas divisões são convenções criadas pelos pesquisadores: facilitam o estudo, mas não são naturais, definitivas ou universais.

    Uma periodização tradicional, muito utilizada em materiais escolares e construída principalmente a partir da experiência histórica europeia e mediterrânica, costuma distinguir a Pré-História, a Idade Antiga, a Idade Média, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea. De maneira convencional, o desenvolvimento dos primeiros sistemas de escrita no Oriente Próximo, durante o IV milênio a.C., é utilizado como referência para a passagem da Pré-História à Idade Antiga. O ano de 476, associado ao fim do Império Romano do Ocidente, costuma marcar o início da Idade Média; a tomada de Constantinopla pelos otomanos, em 1453, é frequentemente utilizada como referência para o início da Idade Moderna; e a Revolução Francesa, iniciada em 1789, costuma marcar o começo da Idade Contemporânea.

    Esses marcos não significam que o mundo inteiro tenha mudado ao mesmo tempo. Eles foram escolhidos a partir de processos ligados principalmente à história europeia e, por isso, não podem ser aplicados mecanicamente a todas as sociedades. Em outros contextos, historiadores utilizam periodizações diferentes, adequadas aos problemas e às regiões estudadas.

    O termo “Pré-História” também deve ser utilizado com cuidado. A ausência de sistemas de escrita não significa ausência de história. Todos os povos possuem experiências, culturas, conhecimentos, memórias e formas próprias de registrar, preservar e transmitir suas tradições. A escrita é apenas um entre muitos tipos de fonte que permitem estudar o passado.

AS ORIGENS DA HUMANIDADE

A vida na Terra

    O planeta Terra formou-se há aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Durante um longo período, suas condições foram muito diferentes das atuais. Ao longo de bilhões de anos, o planeta passou por profundas transformações geológicas, atmosféricas e climáticas. As evidências científicas indicam que formas de vida muito simples já existiam há mais de 3,5 bilhões de anos. Desde então, os seres vivos se diversificaram e ocuparam diferentes ambientes.

   A evolução da vida não aconteceu como uma escada que conduz a espécies cada vez “melhores” ou superiores. Uma representação mais adequada é a de uma grande árvore com numerosas ramificações. Populações se diferenciam ao longo do tempo, novas linhagens surgem e muitas delas se extinguem.

   As espécies atuais, portanto, são resultado de longos processos evolutivos. Nenhuma espécie viva representa o “objetivo final” da evolução.

   Os seres humanos apareceram muito recentemente quando comparados à idade do planeta. Por isso, podemos afirmar, em sentido figurado, que a humanidade é uma recém-chegada à história da Terra.

Explicações sobre a origem da humanidade

   Ao longo do tempo, diferentes sociedades desenvolveram narrativas para explicar a origem do Universo, da vida e dos seres humanos. Essas narrativas de criação, também chamadas em muitos contextos de cosmogonias, expressam crenças, valores, conhecimentos e maneiras de compreender o mundo.

    Na tradição judaico-cristã, o livro do Gênesis apresenta a criação do Universo e da humanidade como obra de Deus. Muitos outros povos e tradições religiosas possuem narrativas próprias sobre a origem da vida e dos seres humanos. Seu estudo permite compreender crenças, valores, identidades e modos de pensar das sociedades que as produziram.

    A ciência investiga a origem e a transformação dos seres vivos por meio da observação, da formulação e do teste de hipóteses, da análise de evidências e da revisão das explicações diante de novos dados. No campo científico, a evolução constitui a explicação central para compreender a diversidade e as transformações dos seres vivos ao longo do tempo.

    Narrativas religiosas e explicações científicas pertencem a campos diferentes de conhecimento, empregam métodos distintos e não precisam ser tratadas como se fossem explicações produzidas pelas mesmas regras. Estudá-las adequadamente exige compreender as características e os objetivos de cada campo.

Charles Darwin e a teoria da evolução

   Charles Darwin foi um naturalista inglês que viveu entre 1809 e 1882. Após anos de observações e estudos, publicou, em 1859, o livro A origem das espécies, no qual reuniu numerosas evidências sobre a transformação das espécies e desenvolveu amplamente a explicação da evolução por seleção natural.

  Darwin não foi o único pesquisador a chegar a essa ideia. O naturalista Alfred Russel Wallace formulou independentemente uma explicação semelhante, e trabalhos dos dois pesquisadores foram apresentados conjuntamente em 1858. A obra de Darwin, publicada no ano seguinte e desenvolvida a partir de décadas de investigação, teve enorme influência sobre a ciência moderna.

   A seleção natural ocorre porque os indivíduos de uma população apresentam variações. Parte dessas características pode ser transmitida aos descendentes. Em determinado ambiente, algumas variações podem aumentar as chances de sobrevivência e, principalmente, de reprodução. Ao longo de muitas gerações, características hereditárias associadas a maior sucesso reprodutivo podem tornar-se mais frequentes na população.

  O ambiente não escolhe conscientemente quais seres vivos sobreviverão. A evolução também não possui um objetivo previamente estabelecido. Uma característica vantajosa em determinado ambiente pode ser neutra ou desfavorável em outro.

  Por isso, evolução não significa necessariamente progresso, aperfeiçoamento ou superioridade. Significa transformação das populações ao longo das gerações. Desde o século XIX, os estudos sobre evolução foram ampliados pela Genética e por muitas outras áreas, e a teoria evolutiva atual reúne conhecimentos que Darwin e Wallace ainda não possuíam.

Evolução humana

   Os seres humanos fazem parte da ordem dos primatas. Isso não significa que descendamos dos macacos ou chimpanzés que existem atualmente. Seres humanos, chimpanzés e outros primatas compartilham ancestrais comuns mais antigos, a partir dos quais diferentes linhagens evolutivas se desenvolveram.

   A evolução humana não aconteceu como uma linha reta que conduziu inevitavelmente até o ser humano atual. Ela foi um processo ramificado, no qual diferentes espécies de hominínios surgiram, coexistiram e desapareceram. Em alguns períodos, várias espécies viveram ao mesmo tempo. O Homo sapiens, por exemplo, chegou a coexistir com neandertais e outros grupos humanos, e pesquisas genéticas demonstram que ocorreram cruzamentos entre algumas dessas populações.

   A espécie à qual pertencemos é o Homo sapiens. As evidências fósseis e arqueológicas indicam que nossa espécie surgiu na África há cerca de 300 mil anos. Em vez de imaginar um único ponto de origem perfeitamente definido, muitos pesquisadores consideram que a formação do Homo sapiens envolveu populações distribuídas por diferentes regiões do continente africano, conectadas por longos processos de contato e diferenciação.

  Ao longo de milhares de anos, populações de Homo sapiens deslocaram-se para outras regiões do planeta. Esses movimentos não ocorreram em uma única viagem ou por uma única rota, mas em diferentes momentos e contextos.

  A cooperação, a comunicação, a produção de ferramentas, a aprendizagem social, a transmissão de conhecimentos e a criação de culturas foram fundamentais para a adaptação dos seres humanos a ambientes muito diversos. Essas capacidades não tornam nossa espécie biologicamente “superior” às demais. Elas constituem características desenvolvidas ao longo de uma trajetória evolutiva específica.

A ocupação das Américas

   As evidências arqueológicas, genéticas e paleoambientais indicam que o Homo sapiens não surgiu no continente americano. As populações ancestrais dos povos indígenas das Américas estiveram ligadas a longos movimentos humanos que envolveram o nordeste da Ásia e a região conhecida como Beríngia.

  Durante períodos glaciais, grande quantidade de água permaneceu retida nas geleiras e o nível dos oceanos ficou mais baixo do que atualmente. Com isso, uma extensa área que hoje se encontra parcialmente submersa ligava regiões da Sibéria e do Alasca. A Beríngia não era apenas uma estreita “ponte” atravessada rapidamente: durante milhares de anos, constituiu uma ampla região de ambientes variados onde populações humanas e animais puderam viver e circular.

  Durante muito tempo, difundiu-se a ideia de que os primeiros habitantes das Américas teriam entrado no continente apenas depois da abertura de um corredor terrestre entre as grandes geleiras da América do Norte e que a cultura Clóvis, de cerca de 13 mil anos atrás, representaria a ocupação humana mais antiga. As pesquisas arqueológicas das últimas décadas tornaram esse modelo insuficiente.

  Entre as evidências mais importantes estão pegadas humanas encontradas em White Sands, no atual estado do Novo México, nos Estados Unidos. Diferentes métodos de datação sustentam uma idade de aproximadamente 21 mil a 23 mil anos, indicando presença humana na América do Norte durante o Último Máximo Glacial, muito antes do que previa o antigo modelo “Clóvis primeiro”.

  Essas descobertas não encerram o debate sobre quando e por quais caminhos ocorreram as primeiras ocupações do continente. Os pesquisadores consideram diferentes possibilidades, incluindo deslocamentos pela região da Beríngia, rotas costeiras do Pacífico e movimentos posteriores pelo interior do continente. Evidências arqueológicas, genéticas e ambientais continuam sendo analisadas, e novas descobertas podem ampliar ou modificar as explicações existentes.

  O povoamento das Américas, portanto, deve ser compreendido como um processo longo e complexo, formado por diferentes movimentos populacionais e por milhares de anos de desenvolvimento das sociedades indígenas no próprio continente.

ATIVIDADES

Introdução ao estudo da História

  1. Com suas palavras, explique o que a História estuda.

  2. Por que não podemos afirmar que a História estuda somente guerras, governos e grandes personagens?

  3. Qual é o trabalho realizado pelo historiador?

  4. Por que as fontes históricas precisam ser analisadas e contextualizadas?

  5. Apresente um exemplo de fonte escrita, material, visual, oral, audiovisual e digital.

  6. Por que uma mesma fonte pode pertencer a mais de uma categoria?

  7. Que perguntas podem ser formuladas durante a análise de uma fonte histórica?

  8. Explique a diferença entre uma fonte primária e uma fonte secundária.

  9. Explique a diferença entre uma interpretação histórica fundamentada e uma opinião pessoal sem evidências.

  10. O que é um anacronismo e por que o historiador deve procurar evitá-lo?

  11. Explique o significado de mudanças, permanências, rupturas e simultaneidades.

  12. Por que a vida cotidiana e as experiências das pessoas comuns também podem ser estudadas pela História?

  13. Qual é a finalidade de uma periodização histórica?

  14. Como a História é tradicionalmente periodizada em muitos materiais escolares?

  15. Por que essa periodização tradicional possui limitações?

  16. Explique por que os povos que não desenvolveram sistemas de escrita também possuem história.

Origens da humanidade

  1. Qual é a diferença entre uma narrativa religiosa de criação e uma explicação científica?

  2. Quem foram Charles Darwin e Alfred Russel Wallace e qual foi sua contribuição para o estudo da evolução?

  3. Explique, com suas palavras, como funciona a seleção natural.

  4. Por que a evolução não deve ser representada como uma escada em direção a seres superiores?

  5. Os seres humanos descendem dos chimpanzés que existem atualmente? Explique.

  6. Por que a evolução humana deve ser representada como um processo ramificado?

  7. Onde e aproximadamente quando surgiu o Homo sapiens?

  8. O que significa afirmar que a origem do Homo sapiens pode ter envolvido diferentes populações africanas?

  9. Por que podemos afirmar que os seres humanos são recém-chegados ao planeta Terra?

  10. O que foi a Beríngia?

  11. O que as pegadas de White Sands revelam sobre a antiguidade da presença humana nas Américas?

  12. Por que as explicações sobre o povoamento das Américas podem ser modificadas com o surgimento de novas evidências?

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